A CARREGAR

Descrição

Não é fácil escrever sobre a obra do Arquitecto Álvaro Siza Vieira em breves linhas. Escrevo um curto resumo, porque desde 2000, tive o privilégio de elaborar o programa para o Museu Oficina Manuel Cargaleiro, no Seixal, e a partir do qual pude observar a grande capacidade de diálogo do Arq. Siza Vieira com todos os intervenientes no projecto, a forma de olhar / ver o local para a implantação do museu, o interesse pelos elementos históricos e paisagísticos, bem como a permanente comunicação com o museólogo durante a elaboração do projecto arquitectónico. Inaugurei, assim, uma nova etapa de aprendizagem na minha vida de museólogo.

A partir daqui, seguiram-se outras experiências de trabalho com o Arq. Álvaro Siza Vieira, tais como: o projecto do Moinho de Papel, em Leiria e o Museu Dr. Joaquim Manso, na Nazaré. No Moinho de Papel pude acompanhar todas as fases (nos outros só o programa museológico e o projecto arquitectónico, porque estão em fase de concurso público para a execução da obra), desde a encomenda, a entrega do programa, a observação 'in situ', o estudo prévio, o ante-projecto, o projecto de execução até ao acompanhamento de todos os momentos da construção e a entrega do edifício pelo empreiteiro. Tudo foi visto à lupa pelo Arq. Siza Vieira. Todas as questões normais de um projecto desta dimensão se resolveram com diálogo entre os diferentes intervenientes: dono da obra (Câmara Municipal de Leiria e Pólis), arquitecto, museólogo, arqueólogos designer, empreiteiro e fiscalização.

Na sua obra arquitectónica não existem repetições: nada é igual; nada se repete. Cada projecto é novo, uma nova realidade arquitectónica marcada na paisagem de forma subtil, perfeitamente integrada. A localização, o programa, a história do local ou do pré-existente e a paisagem traçam-lhe o caminho que conduz ao estudo, ao desenho e ao projecto arquitectónico.

Vive intensamente os projectos, com empenho total em todos os detalhes, desde o estudo do local e do seu envolvimento paisagístico, a análise do programa museológico, a elaboração do projecto até ao acompanhamento da execução e da entrega da obra. Está atento a todos os pormenores.

Nada lhe escapa. Dotado de um grande poder de observação. Facilmente encontra soluções para as questões que lhe são colocadas. Nada fica sem resposta: é sempre encontrada a resposta adequada para as preocupações funcionais e estéticas do edifício.

Os seus projectos arquitectónicos não se limitam apenas ao edifício, mas também ao interior com o desenho dos equipamentos e de todos os elementos que dão funcionalidade e unidade à obra, bem como ao arranjo paisagístico. É um todo, com muita força e unidade. Fica tudo no lugar certo.

A sua obra é muito apreciada a nível internacional. Em muitos países tem deixado a sua marca, nomeadamente, na elaboração de projectos museológicos. Para além do Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, em Espanha (1988-93), mais recentemente, temos o Museu da Fundação Iberê Camargo, em Portalegre no Brasil. A propósito deste Museu, o ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, em 2008, em Lisboa, afirmou: “a sede desse museu foi construída segundo o projecto do arquitecto português Álvaro Siza Vieira, destacado no mundo pela inteligência que fez surgir nas últimas décadas esse tipo de “equipamento urbano”. É algo que tem causado entre os brasileiros uma enorme expectativa quanto ao que pode advir desse exemplo para o futuro dessas instituições e sua nova missão sociocultural”.

Esta exposição, agora apresentada no Museu Municipal de Santiago do Cacém, dá-nos a conhecer to a obra multifacetada do Arq. Siza Vieira através quer das maquetas de projectos para edifícios de funcionalidades diferentes, quer dos objectos de design. O Museu cumpre deste modo uma das suas principais funções ao divulgar obras de referência da arquitectura e do design contemporâneo.

De facto, a obra do Arq.to Álvaro Siza Vieira é uma lição de arquitectura e de estética.

Álvaro Siza Vieira:
“A ferramenta do arquitecto consiste na sua capacidade de ver”.


António J. C. Maia Nabais
(Museólogo) – Julho de 2009

Ficha Técnica

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exposição - álvaro siza